
O que explica um tricolor sair de casa para assistir e apoiar um jogo desse time?
Para o doutor em marketing e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Salomão Farias, o Santa Cruz pode ser considerado um fenômeno. "Um clube tem a seu favor esse lado emocional, que o esporte proporciona. É o fanatismo. Para alguns, pouco importa as falhas desse 'produto', que nesse caso são as derrotas. É parecido com a religião, é tido como um consumo sagrado. Ir ao campo virou isso para o torcedor do Santa. Analisando de forma paralela, parece até irracional. De uma maneira geral, o brasileiro tem essa característica com o futebol", explicou.
Para o doutor em sociologia da UFPE, Denílson Marques, torcer para o Santa Cruz virou quase como um orgulho, mesmo com as derrotas. Trata-se de um sentimento de preenchimento. "Em Pernambuco, o Santa tem a maior torcida que vai ao campo. Pode ser por conta desse sentimento de esperança. O torcedor vai ao estádio sonhando com a vitória, mesmo sabendo que o clube vai mal ele acredita no sucesso. Se o Náutico passasse por essa situação, talvez deixasse de existir. É uma torcida mais elitizada. A torcida do Sport é mais de momento. Talvez até possa superar a do Santa em número, mas ela é de momento. É como se fosse de moda... Como foi na Libertadores, onde era chique estar na Ilha do Retiro", destacou Marques, que é membro do Núcleo de Estudos em Sociologia do Futebol.