• Adriana

    A Mulher Socorrista

    Quem sou eu? Eu sou aquela que deixou o jaleco branco pra vestir essa farda, o salto por uma bota cano longo, deixei as unhas bem feita para obter calos, deixei o cabelo escovado pra ter um rabo de cavalo empoeirado e muitas vezes molhado da chuva, deixei o ar condicionado de uma sala pelo sol castigante em uma rodovia, o caminhar lento e silencioso nos corredores de um hospital por uma viatura em alta velocidade e uma sirene que adentra ate mesmos os meus sonhos.

    Eu? Eu sou o forte sexo frágil, que se preparou fisicamente para levantar 2, 3 vezes o meu peso para te socorrer. Sou aquela que na maioria das ocorrências preciso me impor a falta de respeito de alguns homens que me subestimam. Sou aquela que deixou em casa o meu filho, para socorrer o seu, seja em um acidente, um engasgamento ou ate mesmo ajuda-lo a vir ao mundo dentro dessa viatura. Sim, sou eu. A mulher socorrista!

    Sou, aquela que teima em acostumar os braços frágeis, que a natureza ordenou que carregasse apenas o peso do próprio filho, a carregar estruturas grandes e aparelhos e macas, e pranchas rígidas, além do seu peso, meu paciente. Sou também que aquela que adentra a sua residência quando por infelicidade seu ente querido entra em surto psicótico, ameaçando a própria vida, e eu com tamanha resignação vou acalma-lo. Sim, sou eu.

    Sou eu, a Mulher Socorrista, aquela por amor ao resgate suporta o calor, o frio, gritos, agressões, desacatos, o próprio medo, por amor a sua vida... Sim, por amor a vida de alguém que acabei de conhecer. E que ao final do plantão já está exausta querendo apenas voltar pra casa e ser apenas uma mulher...

    Adriana

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