
Se eu morrer amanhã, por favor,
não leve-me flores. Você teve uma
vida inteira para isso. Também
não chore de saudade, não se não
tiver me buscado
verdadeiramente enquanto
podia. Se eu morrer amanhã,
peço: não se arrependa de não ter
me dito tudo que queria enquanto
meus ouvidos eram algo que não
pó. Se eu morrer amanhã - suplico
-, não toque minhas mãos frias,
não se nunca as tiver sentido
quentes. Se eu morrer amanhã
não pense em como seria se eu
estivesse vivo, pois eu já estive. E
passou. Se eu morrer amanhã, por
favor, não diga que me ama, nem
que "fui" importante. Eu já não
ouvirei isso. Chore, apenas se eu
lhe tiver sido bom, mas não chore
se não tiver sido comigo. Leia algo
meu se bater saudade, mas não
leia se nunca tiver lido. Veja fotos
minhas se isso fizer bem à
lembrança, mas não se arrependa
de nunca ter pousado junto a
mim. Se eu morrer amanhã, não
enlute, não se não tiver lutado
comigo. Se eu morrer amanhã, não
se surpreenda, morte é
consequência de estar vivo. Se,
por acaso, eu morrer amanhã, não
olhe profundo para mim -
dormido eternamente -, mas
lembre-se do meu derradeiro
olhar, do meu sorriso e das coisas
(boas ou ruins) que eu fiz, para,
por e com você. Se eu morrer
amanhã, lhe peço, não me queira
ver, não me queira escrever, não
me queira despedir... mas só
aceite, só respeite a ideia de que
serei silêncio profundo,
lembranças doídas e pó eterno e
entenda que o que fora feito, dito
ou vivido estará trancafiado num
tempo chamado passado que
debruça-se pouco a pouco no
esquecimento e que já não flui,
não volta, não muda, não vive, não
vê.